sexta-feira, 15 de maio de 2009

Rumo ao deserto... (fotos)

Vou ficar devendo pra voces (como sempre) a historia que se passou na minha volta de Jodhpur.

Em compensacao deixo voces com algumas fotos que tirei nessa viagem. Mais estao por vir.


Rumo ao deserto!

terça-feira, 5 de maio de 2009

mais um idiota na terra

eu soh tenho uma coisa a dizer: QUE ODIO DO CARALHO DE MIM!

fiquei "matando" o puto do tempo aqui no cybercafe e acabei perdendo meu trem!

grrrrrrrr!!!

tou preeeeeeeeso nessa cidade!

a pior de todas de toda a viagem!

agora vou ter que enfrentar uma MARATONA pra conseguir chegar em Mumbai... 

repita comigo:
merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda, merda.

espero que algo bom aconteca nesse meio tempo.

que estreeeeeeeesse!!!

eu jah tava muito irado com as coisas que aconteceram nos ultimos dias... 
foi a gota d'agua pra eu explodir

que vontade de esmurrar todo mundo
de xingar
de espernear como crianca

EU SOU UM IDIOTA!
Repitam comigo:
LUCAS IDIOTA!

Em busca do deserto perdido

Isso eh contra meus principios, mas tou cansado demais para fazer qualquer outra coisa alem de matar o tempo nesse cybercafe em Jodhpur.

Resolvi aproveitar o feriadao para viajar por Udaipur, Jodhpur e Jaisalmer. Lugares fantasticos! Um paraiso para fotografos. Tanto colorido e diferenca que cansa os olhos.

No Sabado resolvi seguir com meus companheiros colombianos para Jaisalmer. Como ainda nao tinha o ticket do trem comprado fui a estacao durante a manha para tentar minha sorte. Consegui um ticket na "fila de espera" e preparei-me psicologicamente para me espremer em um dos banco-cama com algum desconhecido fedorento, pois eh isso que acontece quando ninguem desiste de viajar e seu ticket nao eh confirmado. Ou seja, por isso que sempre tem passageiros a mais pelos trens.

Pra minhaa sorte e extrema surpresa (de tao incredulo tirei ate foto do meu nome la, caso o chefe de trem perguntasse o que eu estava fazendo ali dentro) quando chegou a hora de embarcar o meu nome estava estampado na porta do nosso compartimento. Escolhemos a "sleeper class".




Eu jah tinha viajado antes nessa classe, mas dessa vew foi especial. O trem eh um amontoado de poeira. A cama eh fofa de tanta areia. Nao tem problema, aceitei a boa vinda, afinal estamos indo para o deserto Thar em Jaisalmer, perto da fronteira com o Paquistao. Melhor se acostumar o mais rapido possivel.

Enquanto tento ler algumas paginas do meu Holy Cow comeca uma tempestade de poeira dentro do trem. Todos se agitam e apressadamente fecham as janelas do compartimento.

Tentei continuar lendo, aceitando a poeira e o calor em vez de lutar e reclamar com meus colegas. Impossivel. Nao dah pra ser indiferente a situacao. Apos alguns minutos tive a brilhante ideia de simplesmente dormir.

Me abracei com minha mochila e apos 6h chegamos em Jaisalmer.

Jaisalmer foi uma cidade que gostei desde que pisei fora do trem. A estacao eh pequena e so possui 2 trilhos, mas mesmo assim eh uito charmosa e bastante bem cuidada para padroes indianos.

Seguimos numa rickshaw para o "Artist Hotel", um lugar muito especial com uma bela vista da pequena cidade amarela.

La tivemos a sorte de conhecer o dono do lugar. Um senhor austriaco de voz preguicosa com muitas historias para contar. Uma delas a sendo a do proprio hotel que foi criado quando ele viajava do Sri Lanka para Europa de jeep! E eu que pensei que estou me aventurando por aqui.

A grande atracao do lugar sao os safaris de camelo pelo "deserto". Obviamente depois de toda nossa odisseia (omitida aqui por brevidade e preguica) a gente tinha que ir la conferir.

Trotamos em camelos rumo ao "deserto" ate nao aguentarmos mais o rala-rala. Assim como nos Himalaias carregamos suprimentos conosco suficiente para 1 noite e 2 dias. No 1o. dia me senti como uma "galinha tandoori" (galeto) sendo assado nos 50 graus do deserto. A agua era quente, quase cafe.

Cada gole que dava deixava a agua um tempo na boca para dar uma resfriada antes de botar pra dentro.

Comecei a delirar e sonhar acordado com uma coca-cola beeem gelada. Funcionou. Calhou de ser que o tal deserto nao eh tao deserto assim (pelo menos onde estivemos) e por isso ao cruzarmos por um vilarejo achamos uma casa com eletricidade e minha tao sonhada cola. Pedi 3.

Seguimos viagem ate o ponto onde passamos a noite. Um pouco decepcionante: apenas um pedacinho miudo de duna. Tanto faz, pelo menos veremos o famoso ceu de infinitas estrelas que os desertos oferecem. Mais outra decepcao: a lua incandeava a maioria do ceu.

Apenas quando acordei no meio da noite com uma vontade insaciavel de "adubar o deserto" consegui ver o ceu estrelado indiano. A experiencia toda foi irada. Ate escorpiao tinha por la!

No 2o dia de deserto foi mais para comer areia. So nao tinha mais areia que no trem de Jodhpur para Jaisalmer. Maldita tempestade de areia. Foi quase a manha toda saboreando areia.

Em Jodhpur...

Funcionario publico eh uma praga para todo pais mesmo. O servico de trem da india eh um dos maiores empregadores do pais.

Estou em Jodhpur tentando aplicar para a cota de estrangeiros no trem e me sinto como um peao e seu coronel. Odeio coroneis. E esses aneis gigantes e dourados que os indinanos gostam de usar me lembra muito coroneis.

Primeiro tive que comprar a passagem comum no balcao e para cada pergunta que eu fazia tinha um lag de alguns segundos entre pergunta e resposta dando tempo para o funcionario olhar para mim com aquela cara de desdem e depois olhar pro alem provavelmente me xingando internamente.

Depois de muito tempo e de eu jah ter comprado o ticket para lista de espera o cara se "lembra" da cota para estrangeiros e diz que preciso entregar uma copia do passaporte e uma carta escrita a punho para o supervisor da estacao de trem.

Fui ao encontro do tampa de foguete e ele me ditou o que deveria ser escrito na tal carta que era pra ele mesmo. Tentei escrever o que ele ia falando, mas juntando o meu ingles com o sotaque dificil dele foi impossivel. Depois de alguns "excuse me" meus o idiota se irritou e disse que "nao sabia mais". Fazer o que? Preciso voltar para Mumbai. Meu trabalho me espera. Resolvi inventar a minha propria carta e no fim ele me mandou para outro balcao para entregar os documentos e finalmente conseguir minha confirmacao no trem.

Ufa.

Isso foi soh 6h antes do trem partir. Agora estou no cybercafe aguardando o trem e rezando pra ter um lugarzinho para mim porque sera uma longa viagem: 18h!

Desejem-me sorte.

Tudo de bom para voces tambem!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Expedicao para o Norte (fotos 1)

Tou com tantas fotos da Expedicao pro Norte que nao tenho paciencia pra filtrar todas.

Entao aqui vai algumas de quando dormimos 1 dia em uma montanha que nao lembro o nome e seguimos no outro dia para o topo.

Isso eh na -- momento de tensao -- Kashimir.

Vai dizer que voce sabia que lah eh bonito assim? :P

expedicao coffey

O trem de Mumbai mais perto de voce

Esse video foi gravado a partir de Andheri Station. Quem vem acompanhando o blog deve achar o nome bem familiar.

Vale ressaltar que aqui nao existe "rush hour", mas sim "rush hourS" que compreende quase o dia todo, inclusive sabado as 20h como uma vez aconteceu comigo.

A parte interessante do video eh em 1min30segs quando o cara pratica a arte do "push and go" para entrar no compartimento.

de trem em trem

O Maruan gravou esse video 2 semanas atras enquando viajavamos de um lugar chamado Gholwad para Mumbai.

Por sinal, para conseguir pegar esse trem foi uma comedia. Pegamos uma rickshaw por meia hora e quando chegamos na estacao era exatamente a hora do trem chegar: 16h!

Entao compramos nosso tiket enquanto viamos o trem parando na plataforma e depois tivemos que correr pelo meio da estacao ateh conseguir chegar onde o trem estava. Parecia a galera do jovem correndo, era uma penca de gente. Quer dizer, parecia nao, tinha gente bonita como eu no meio. :P

Quando alcancamos o trem ele estava comecando a andar, entao aproveitamos o fato dele nao ter portas para entramos em qualquer classe mesmo. Entramos numa classe melhor do que pagamos e esperamos pela proxima estacao para trocar para o lugar certo.

E eh ai que entra o video. Na classe que pagamos nao tinha lugar para sentar e muitos viajavam em pe mesmo enquanto os artistas locais faziam sua graca.


segunda-feira, 27 de abril de 2009

reflexao pos 6 meses de India :P

em 3 meses voce se adapta
em 6 voce se acostuma
depois disso bate o cansaco
to cansado da India!
mais especificamente de Mumbai

eh sempre dificil voltar pra ca
em Pune sao "apenas" 4 milhoes de habitantes
mas o lugar que fiquei era bem tranquilo
longe do caos
entre os insensos e pessoas nao-convencionais (pros pragmaticos, leia-se malucos)

quando voltei do Norte foi a mesma sensacao
e 3 semanas antes eu tava dizendo "minha Mumbai"
acho que eh uma relacao de amor e odio
como toda boa relacao

um dia vou colocar uma vagina bem grande dentro da minha mochila
quero ver a cara do seguranca na hora da vistoria
todo dia a minha bolsa eh revistada
todo dia os porteiros do predio vigiam os seus passos
batem na porta de casa quando tem visitantes mulheres
e em qualquer fila te roubam o espaco

aqui sim eh uma vida em comunidade
privacidade eh um conceito abstrato
e a logica eh um presente grego que ainda tah pra chegar

me iluminando no Osho Meditation Resort




esses dias foram conturbados. depois de 6 meses a Ev chegou aqui na India pra procurar (e se tiver sorte achar) "alguma coisa". nao precisou de muito tempo para perceber que nada seria como antes, e ainda mais, nada seria melhor do que antes.

enfim, nesse fim de semana passado resolvemos seguir para Pune (4h de Mumbai) com um objetivo: visitar o Osho Meditation Resort. basicamente um lugar pra turma do Oeste (western people) gastar tempo e dinheiro. pessoas que sofrem com o estilo de vida moderno e se apegam a coisas (inclusive sentimentos).

passar o fim de semana lah foi um mix de felicidade e tristeza.

por um lado eu fiquei muito feliz de me sentir mais tranquilo do que muita das pessoas ao meu redor. pessoas de olhar vazio. pessoas com demonios corroendo a alma. dava pra sentir isso no ar. fiquei feliz ao perceber que ainda nao tenho problemas suficientes como muitos do que estao por la. de saber que eu (ainda?) nao preciso entrar numa cruzada desenfreada em busca da iluminacao da alma, da verdade interior de meu ser ou da pura e simples felicidade. eu tenho certeza que muitos conseguem encontrar o que procuram la, mas tambem tenho certeza que para outros isso levara a vida inteira.

por outro fiquei triste com minha decisao em relacao a Ev 6 meses atras. e saber que nunca mais a encontrarei denovo eh sempre pior do que imaginar que um dia quem sabe a gente se encontra. alias, a palavra "nunca" eh muito forte e dificil de ser usada. mas eu quero usar mesmo assim.

mas vamos la, bola pra frente. os pontos so serao conectados quando olharmos pra tras.




terça-feira, 21 de abril de 2009

os viados sagrados da india

essa turma ai eh tudo viado
mass sao de respeito
vagam pelos trens e ruas
pedindo dinheiro
a turma com medo da maldicao
dao ate uns rupees
alguns sao sem pau mesmo
e outros ate gostam do duro e grosso
muitas historias por tras desses saris

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Pacote de camisinha indiano



As coisas aqui sao meio de cabeca pra baixo mesmo. Olha soh o pacote de camisinha indiano.

Agora coloca no contexto. Um lugar que:
- no big brother eles borram a bunda de mulheres em bikini
- nos filmes as cenas sao cortadas quando os labios estao na iminencia de se tocar
- a grosso modo ninguem pega ninguem (na boate eh ridiculo :P)
- Goa eh uma das poucas praias que se pode usar um bikini sem atrair uma matilha de indianos no cio
- eh proibido "brinquedos sexuais" (se nao me engano Playboy esta incluido na categoria)


O QUE DIABO FAZ ESSA CAMISINHA NESSES TRAJES?

Talvez eu tenha a resposta.

Com tanta repreensao sexual a camisinha na verdade eh um quadrinhos de sacanagem disfarcado.

Passageiro extra



Lembro da cara da Isabel quando via 3 pessoas numa mesma moto no Brasil...

Como eu disse pra muita gente aqui, o BRasil eh uma versao simplificada da India. Ou como minha amiga Melissa diz "India is a fucked up version of BRazil". :P

Ate aqui em Mumbai eh comum ver motos com "alguns" passageiros extra e o capacete ninguem precisa porque eh tudo caba homi!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Crise financeira?

Em tempos dificeis temos que inovar, right?
Direto do bairro Bandra:










sábado, 4 de abril de 2009

Da que se passou na expedicao pro Norte (parte 4)

Chegando em McLeod Ganj...
Que calor dos infernos aqui no ape! O predio foi projetado por algum estagiario, como tudo por aqui.

Ontem tive o prazer de acordar as 4h da madrugada ao som da voz de veludo da Ev e depois nao consegui mais dormir por causa do CALOR.

Estou dormindo abracado com uma garrafa de 2L de gelo. Eh o meu ar-condicionado pessoal. Fico ali abracado com ele e no meio da noite deixo do meu lado pra me regar com a agua gelada.
Agora sim, voltando paraa Expedicao, onde o clima era muito mais deleitante.


McLeod Ganj foi o melhor lugar de toda a viagem. A vibe la eh outra. Voce sente a diferenca a comecar pelos olhos puxados. A cidade eh um refugio para os monges tibetanos. Milhares deles vivem la, incluindo o ilustre Dalai Lama que exatamente quando fomos la estava completando 50 anos de exilio na India.


Foi ai que comecou nosso mini-drama para encontrar hospedagem. Chegamos as 2h da madrugada na cidade, o que claro nao ajudou muito.


A gente tentou ate se hospedar numa pousada budista. A cena foi comica.


As meninas encontraram 4 olhos puxados em frente a essa pousada e negociaram com eles. Depois de tudo certo eles explicam que precisam falar com alguem -- que depois descobri ser o "mestre" deles. Tudo bem... eh agora que comeca aquela cena de filme na minha cabeca, uma coisa meio Jet Lee.


Para colocar voces no contexto da night, la estavamos nos, iluminados pela luz de uma fraca lamparina, numa especie de hall que fica no meio da construcao em estilo chines (tibetano?) rodeada de arvores imensas que poderiam muito bem abrigar alguns ninjas afim de destilar sua arte milenar na gente.


Os "pupilos" batem na porta que depois de alguns minutos revela um senhor em seus trajes de dormir falando em tibetano algo que o meu babel fish traduziu +/- assim:
- O que? Hah? Ja eh de manha?
- Nao, nao Mestre! Acontece que tem um grupo de mane desinformado que acabou de chegar aqui e nao tem lugar para ficar.
- Huh?
.
.
.
Humm...
.
.
.
Ah ha?
.
.
.
Um minuto, vou vestir minha roupa.


Depois que o Mestre trocou de roupa e voltou tivemos que explicar tudo denovo. Os pupilos traduziram o que falavamos e entre uma frase e outra davam uma risadinha marota pro nosso lado que a gente sempre respondia tambem, afinal precisamos de um lugar para ficar.


No final eles mostraram o quarto equipado com o basico: duas camas e lencois. O banheiro eh comunitario e o banho compartilhado. Como eramos 4 e nao chegamos num acordo partimos a procura do proximo hotel.

No dia seguinte...
No dia seguinte eu chorei.


Acordamos as 6h e seguimos para um templo onde Dalai Lama conduziu um ritual.


A emocao foi enorme. Estar no templo, ouvir as entoacoes esquisitas dos monges (uma paradabem grave como se tivesse se engasgando), ver um mongevestindo um tipo de chapeu parecendo uma crista de galo amarela e tocando uma corneta no alto do templo anunciando que algo estava para acontecer... Tudo isso dentro de um templo construido entre as montanhas com uma vista incrivel!


Pela primeira vez senti a historia realmente acontecendo. Conheci o mundo que os jornais, livros e TVs tentam mostrar.


Senti empatia pelas pessoas que estavam ali por um motivo. Pessoas que deixavam transparecer claramente a importancia do momento para elas.


Foi lindo.

Proximo post (que eu nunca posto hahaha):
- A passagem de Dalai Lama
- A "night" no bar green que nao usa nem mel de abelha para nao agredi-las.

sexta-feira, 27 de março de 2009

pensamentos aleatorios

uma pausa nos posts da Expedicao pro Norte para uma pequena nota:

  • minha cabeca tah ficando doida que nem de passarinho em eclipse. como pode ser 20h da noite e ainda ter o mesmo sol das 17h30 de Recife? Tah tudo claro!!! uhauhahua
  • sentir o mundo mudando da uma sensacao de movimento interessante, eu gosto disso. aqui em Mumbai do dia pra noite comecou a fazer frio! mas agora tah chegando o verao e tah esquentando, esquentando...
  • entrei pra um projeto da Cisco aqui, eh um micro cosmos dentro do micro cosmos TCS por ele mesmo. a turma tah conferindo se tou limpo na policia, se meus pais sao gente boa, se eu nao tenho envolvimento com drogas... ui ui ui

terça-feira, 24 de março de 2009

No que se passou nq expedicao pro Norte (parte 3)

Um pit-stop para Deus... Shimla pra Manali
Foram varias horas “malhando” o abdomen de tanto sacolejo de um lado para o outro. Em muitos lugares a Estrada, ou melhor, o caminho so cabia um carro. Nas estradas eh normalissimo por aqui buzinar avisando pro carro que vem na outra mao “oh eu aqui, tou passando, nao vem agora nao”. Principalmente nas curvas (varias vezes quase 90 graus de curva). Alem disso sao poucos os pontos onde se ve aquela protecao lateral pra evitar o carro cair no abismo... haja coracao!

Apos algumas horas paramos para lanche e no meio de um biscoito e outro senti um cheiro peculiar de maconha no ar. Nos entre-olhamos, olhamos pro matagal pr aver se tinha alguem la, mas nao tinha ninguem. O unico cidadao com um cigarro na mao era o nosso motorista. Era so o que faltava, um motorist doidao nessa Estrada maluca...

Na verdade depois de alguma conversa a gente chegou a conclusao de que nao era maconha e sim um tipo de cigarro popular entre os motorist de rickshaws. Ufa :)

Seguimos viagem e no meio do percurso passamos por um templo de Kali. Kali eh um dos incontaveis deuses do Hinduismo. Nosso motorista como um bom Hinduista e seguidor de Kali estacionou o carro e nos deixou um olhando pro outro com uma interrogacao purpura de cetim brilahnte na testa enquanto ele fazia sua prece.

Apos poucos minutos prosseguimos com nosso itinerario e em algumas horas avistamos as primeiras montanhas dos Himalayas.


Onde a Revolucao Industrial ainda ta pra chegar...
Chegamos em Manali por volta da meia noite e apos dar de cara com a porta fechada do lugar em que ficariamos encontramos um outro que tinha uma senhora muito simpatica como dona. Ela e o filho/sobrinho/qualquer coisa sao do Nepal.

Foi nesse lugar que senti a India timidamente se descobrindo um pouco mais para mim. Pessoas mais simples, num lugar que a revolucao industrial parece ainda nao ter chegado. Pessoas sem a linguagem corporal irritante.

Perto da “pousada” tem umas “hot springs” onde o povo lava a roupa. Tambem tem uma piscina onde os homens tomam banho de cueca. Fantastico, nao? Sei que fiquei na minha, usando a tatica de “documentarista do Discovery”, procurando nao interferir em nada, pois qualquer comentario ou atitude poderia inteferir o curso natural das coisas.

Mais na frente tinha mais aguas quentes onde as lavadeiras faziam seu oficio: lavar e apaixonar os turistas. Fiquei hipnotizado por alguns minutos por uma delas. Fiquei viajando nela enquanto ela tava concentrada na roupa suja. Esfrega, esfrega, esfrega...

Voltando em mim segui pro meu cafe da manha Tibetano e enquanto tomava meu capuccino escaldante pra aliviar o frio vi ao vivo pela primeira vez uma maquina de tear sendo usada para fins de subsistencia. Enquanto a senhora trabalhava no tear um senhor estava transformando o pelo em um rolo de la... tudo bem poetico. Eu sei que nao preciso ir tao longe, mas me senti na idade media.

Falando em Idade Media, Juliana e as meninas foram pra piscina das ladies.La a cena parecia ainda mais historica. Lembrava Roma e Grecia antiga. Varias mulheres em seus trajes intimos DANDO BANHO uma nas outras de forma pura e ingenua. Esfrega, esfrega, esfrega...

La fizemos o que o turista padrao faz: templo tibetanos, templo hinduista (onde acredita-se que Kali deixou uma pegada la, por isso o templo), yacks (uns bufalos bem peludos) e fomos a “estacao de ski” que eu nao lembro o nome. Sim, tem NEVE na India :)

Em geral os Indianos sao sapecas. Peter pans na neve. Sem nenhum medo de passar vergonha. Seja crianca, pai ou avo. Isso foi uma coisa interessante que a Marcela percebeu. Eles atuam de um jeito cafona que muitos teriam vergonha no Brasil. E eu estou falando de pessoas que tem dinheiro suficiente para viajar ate Manali.

Proximo post: McLeod Ganj, o mini-Tibet.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Do que se passou na Expedicao pro Norte (parte 2)

Da trajetoria pro aeroporto...
A viagem comecou na 5a-feira de manha, mas pra mim tudo comecou na 4a-feira, gracas a minha vida de engenheiro pedreiro de software…

Devido a um release virei a noite de 4a para 5a-feira no escritorio, chegando em casa pontualmente as 6 AM pra arrumar socar as roupas no mochilao e partir pra encontrar a Marcela as 8 AM e irmos ao aeroporto. Alem de eu ter trazido apenas 12kg de mala pra India, metade das roupas estavam sujas no cesto, porque (bem no meu estilo Lucas de ser) pensei que nada, quando chegar de noite eu coloco pra lavar e de manha elas tao limpas”. Entao viajei com metade do pouco que trouxe. Um enigma que meu pobre cerebro ainda nao conseguiu resolver: por que a mochila sempre fica cheia independente da quantidade de coisas que coloco nela?

No aeroporto domestico uma medio-surpresa (como Manusinha gosta de falar): la eh organizado! Nao eh como o internacional que tem bambus segurando as estruturas. Outro enigma: por que renegam o coitado do aeroporto internacional? Pra espantar turista?

No aviao mais outra surpresa, o voo soh durou 2h e chegando em Chandigargh seguimos direto pra rodoviaria. Pobre de mim… Entao do aeroporto pegamos um taxi (obivamente apos alguns minutos de barganha) e no meio do trajeto o motorista resolve parar em uma das juncoes de nomes malucos a la Brasilia (B275-C4 sector) pra trocar de carro”. Coisas que a India oferece pra voce neh… entao trocamos de carro e seguimos pra rodoviaria.

Na rodoviaria compramos nosso ticket para Shimla e la fomos nos em mais um shit bus. Ai como somos felizes com a Princesa do Agreste, Progresso, TIP… a India me faz perceber a felicidade em coisas pequenas da vida como um banho, um onibus decente, catota amarela em vez de preta… acho que essa eh a magica desse lugar.



Do xarope de turbante vermelho
Quando me dirigi pro meu assento (2 pessoas de um lado, 3 pessoas do outro) encontrei um bacana que querendo ser legal foi muito xarope. Esse cidadao de turbante vermelho e barba a fazer tava sentado na janela, depois tinha no meio uma pessoa e eu ficaria na extremidade. Acontece que por motivos homosexuais ou simpaticos ele fez questao de que eu sentasse no meio. Disse pra ele: nao cara, eu vou sentar aqui mesmo” e ai ficou naquele bate-bola dele dizendo voce vem” e eu dizendo eu fico aqui” ate que ele desistiu da ideia de eu sentar no meio. Fiquei sentado apoiando minha cabeca na mochila que estava nas minhas coxas e tentei dormer um pouco. Mexe pra la, mexe pra ca tentando achar uma posicao boa pra um coxilo e eu sinto o cara me cutucando no joelho hey, Sir, Sir… please, whats your country?”. Da pra acreditar? Era o xarope do cara puxando assunto. Eu nem levantei a cabeca, soh fiz movimento com a mao dizendo cala a boca”. Isso nao foi suficiente. O xarope de turbante vermelho pediu pro cara do meio pra trocar de lugar. O cidadao falava tao perto de mim que o turbante dele batia na minha cabeca. Concentrei, respirei, pedi pra Krsna, Buddha, Dalai Lama e pro o Universo inteiro pra que me dessem paciencia pra aguenta-lo. Eu quero ver que cultural inductions consegue preparar uma pessoa pra isso… Empurrando ele pra tras falei de forma mais incisiva pra ele me deixar e voltei a dormir”.

Alguns minutos depois a pessoa do meio desceu do onibus e ai o xarope foi pra janela denovo

Depois de tudo isso percebi que seria impossivel dormir naquele onibus e resolvi comer uns chips e talvez por peso na consciencia pela minha nao-simpatia ofereci alguns chips e fiz as pazes com o cidadao. Pra minha sorte poucas paradas a frente chegou a hora dele descer do onibus e dai pra frente a unica coisa que eu tive que me preocupar foi em me segurar na cadeira por causa das ultra sacolejantes curvas. Foi o dia que comecei a odiar estradas em montanhas. E isso era apenas o inicio.



Em Shimla…
Depois de muito sacolejo chegamos nessa cidadezinha pacata. Eh a capital de Himachal Pradesh, mas eh tao pequena, tao aconchegante, tao interiorana que nao lembra uma capital. Os indianos recem-casados costumam ir pra lua-de-mel la… Lembrei de longe (tipo distancia da India pro Brasil mesmo) de Garanhuns. Lamentei por nao encontrar chocolate quente nem morango com chocolate. Tambem nao bebemos aquele vinho Argentino barato que jah eh tradicao minha quando em lugares assim. Pequenas manias e habitos que se define e se resume em uma palavra: envelhecer.

Quantas manias eu jah tenho? Tava pensando nisso outro dia. Quantos sintomas de velhice eu jah tenho? Exemplos:

  • odeio escutar barulho de teclado dos outros.
  • odeio ter preferencia e tambem nao ter preferencia
  • quando comeco a escovar os dentes sempre tento comecar por um lado diferente

Com certeza tem mais que eu nao lembro agora. Entao quem souber de alguma mania minha, favor deixar o comentario.

Falando nisso, uma das meninas que viajou conosco sofre do TOC. CER-TE-ZA! A menina foi a viagem inteeeira pedindo pro motorista parar pra fazer 2 coisas: escovar os dentes e fazer xixi. Se ela come 1 biscoito ela tem que escovar os dentes imediatamente. No inicio pensei que ela estava com alguma obturacao faltando, mas nao… eh isso mesmo, sintoma de velhice, TOC ou coisa parecida.

Me lembrei de uma frase que gosto QUEM SE DEFINE SE LIMITA”. Por que eh tao dificil fazer coisas aleatorias? De fugir dos habitos e manias? E ate mesmo no ato de fazer coisas aleatorias voce jah tah no habito… Aaah… jah tou viajando demais. Culpa do Arnaldo Antunes que tah cantando agora.

Jah fugi completamente do assunto, vou parar por aqui. Espero que leiam.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Viagem pro Norte (parte 1)


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Aaah... acho que vou comecar o post com uma frase que minha amiga nao parava de repetir...
"ESSE PAIS NUNCA PARA DE ME SURPREENDER" - Juliana Castillo, colombiana ha mais de 1 ano na India.

A viagem foi incrivel! Nem sei quantos dias foram, acho que uns 10.
Vou deixar voces com o itinerario que fizemos. Quando bater a inspiracao escreverei aqui.
  • Mumbai para Chandigargh: primeira (unica?) cidade planejada da India.
  • Chandigargh para Shimla: terra dos casais em lua de mel
  • Shimla para Manali: uma imitacao barata do Chile. lugares para ski, montanhas com neve... lindo.
  • Manali para Mcleod Ganj (Dharamsala): o mini-Tibet na India. Dalai Lama mora la. Fomos ao templo budista. Muito simpatico, passou ha 2 metros de mim dando tchau e rindo.
  • Mcleod Ganj para Jammu: terra sob ocupacao. foi o preludio do que estava por vir em Sri Nagar.
  • Jammu para Sri Nagar: dita "O Paraiso na terra", riquissima beleza natural e cultura, porem esta fortissima ocupacao militar. AKs, blindados, soldados para todos lados. Impossivel andar 50 metros sem ver um riffle.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Slumdog millionarie

Eu quero um minuto de atencao pra falar 2 coisas.

Primeiro...
Antes de saber que o danado do filme seria um blockbuster eu estava assistindo com o Hamza e Dragan aqui no flat mesmo o filme e fiquei doido pra avisar pra voces sobre o filme.

O filme nao tem la esse super enredo e nao acho que foi merecido o Oscar dessa categoria, porem pra mim eh especial ver a "minha" cidade retratada com todas as cores que vemos aqui.

Tem uma parte do filme que mostra EXATAMENTE a regiao onde estou trabalhando. Acredito que foi filmado do predio ao lado do da TCS. Da pra ver tambem um lugar chamado Galleria, super frequentado por mim.

O filme vai ser lancado dia 6 de marco no Brasil, entao CORRAM pra ver a minha amada Mumbai!

Isso foi uma coisa, a outra coisa eh o seguinte...

Eu tava na cantina essa semana e fiquei incrivel (como diria Adah). A India e mais uma similaridade com o Brasil! Depois do filme ganhar o Oscar os atores voltaram pra Mumbai e o que acontece? COMITIVA DE RECEPCAO!

Nao era so 10 ou 50... eram CENTENAS! No mesmo original tosqueira indiano style de sempre, tava la o croowd adorando os atores & agregados. Uns cidadoes esquisitos descamisados, tocando tambores, flores no ar e carros conversiveis decorados com umas flores tipicas.

E o mais massa eh que eram diferentes grupos adorando pessoas diferentes, entao a atencao nao ficou concentrada apenas no "bonitao" do Irfan Khan. Eh raro ver uma cena dessas onde todos sao astros. Uma via lactea inteira sendo aclamada.

O produtor musical (nao tenho certeza do nome) eh bem famoso aqui tambem pelas composicoes Bollywoodeanas. Um colega indiano falou que era esperado pelo menos o "Melhor musica" (Jai Ho):


Ah sim e os descamisados provavelmente era um grupo de hinduistas (presumo) levando um ritmo irritante que nao sei o nome. Quase todos os dias eu acordo por causa desse batuque que eles fazem. Agora eu posso dizer: odeio hinduistas! O mesmo batuque acontece por volta das 18h. TOdo dia essa merda de batuque que envolve latao (presumo denovo) e sinos. ELes comecam num compasso 4/4 a 60bpm e depois avancancam pro descompasso geral e o mais rapido possivel.



Noticias relacionadas:

Índia orgulhosa do triunfo de "Slumdog Millionaire"

Google news

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Goa tem quase-carnaval



Pra quem quiser chamar de carnaval...
Talvez o carnaval do BRasil nos anos 50?

Fotos: Bandra (por Maia)


bandra by maia

Fotos de Bandra.


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